Irã aciona os houthis: por que o Mar Vermelho pode ser o próximo front
Irã pediu aos houthis que se preparem para fechar o Estreito de Bab-el-Mandeb se os EUA atacarem sua rede elétrica. Entenda o risco para o comércio mundial de petróleo.
NOTÍCIA


Resumo: Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o Irã pediu aos houthis do Iêmen que se preparem para fechar o Estreito de Bab-el-Mandeb caso os EUA ataquem a rede elétrica iraniana. Com o Estreito de Ormuz já interditado, a ameaça coloca em risco as duas principais rotas de petróleo do mundo ao mesmo tempo.
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Até agora, a guerra entre Irã e Estados Unidos vinha se concentrando no Estreito de Ormuz, a porta de entrada do Golfo Pérsico. Mas um novo movimento pode abrir uma segunda frente marítima. Segundo três fontes ouvidas pela agência Reuters sob condição de anonimato, o Irã pediu aos houthis, grupo aliado no Iêmen, que fiquem prontos para fechar o Estreito de Bab-el-Mandeb — outra rota estratégica, do lado do Mar Vermelho — caso os EUA ataquem a infraestrutura elétrica iraniana.
A informação ainda não foi confirmada oficialmente por Teerã ou por representantes houthis, mas, segundo uma das fontes, o grupo já teria posicionado mísseis e drones perto do estreito e esperaria apenas a ordem para agir.
Por que o Bab-el-Mandeb importa tanto quanto Ormuz
Se o nome não é familiar, o número ajuda a explicar a importância: cerca de 12% do comércio marítimo mundial passa por esse estreito, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e, dali, ao Oceano Índico. É por ali que embarcações que saem do Canal de Suez seguem para a Ásia — e vice-versa.
O detalhe que preocupa analistas é a combinação dos dois pontos de estrangulamento ao mesmo tempo:
O Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, já está fechado desde o fim de fevereiro, quando o conflito começou, e é responsável por cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito transportado por via marítima no mundo.
O Estreito de Bab-el-Mandeb, se fechado também, cortaria a outra rota que embarcações vinham usando para contornar parte da crise.
Ou seja: as duas principais válvulas de escoamento de petróleo do Oriente Médio ficariam obstruídas ao mesmo tempo — algo que ainda não aconteceu nesta guerra.
Uma escalada que já dura cinco dias
A ameaça aos houthis surge um dia depois de o Irã prometer "destruir infraestruturas regionais" caso os EUA atinjam instalações de energia no país. Na quarta-feira (15), as forças americanas lançaram uma nova onda de ataques contra o Irã, mirando capacidades usadas por Teerã para ameaçar o tráfego em Ormuz — a segunda ofensiva do dia, depois de bombardeios pela manhã contra a ilha de Grande Tunb, no Golfo Pérsico, que mataram sete militares iranianos, segundo autoridades locais.
O porta-voz do Quartel-General Central iraniano chamou Ormuz de "linha vermelha inviolável" e afirmou que qualquer resposta iraniana seria "mais severa, mais extensa e mais devastadora do que nunca" — discurso que, até o momento, não veio acompanhado de uma ação concreta contra o Bab-el-Mandeb.
Do lado americano, o presidente Donald Trump afirmou que o Irã "quer muito" fechar um acordo de paz, mas que caberá aos EUA decidir os próximos passos. Washington já havia dito anteriormente que o Irã forneceu armas, financiamento e treinamento aos houthis — acusação que Teerã nega.
O papel dos houthis no "Eixo da Resistência"
Os houthis fazem parte do que o Irã chama de "Eixo da Resistência", uma rede de grupos aliados que inclui também o Hezbollah, no Líbano, e milícias xiitas no Iraque — a maioria já envolvida, em algum grau, no conflito mais amplo entre Teerã e Washington. Até esta quinta-feira, porém, os rebeldes iemenitas não haviam entrado formalmente na guerra, o que torna esse pedido iraniano um possível ponto de virada a ser observado.
Segundo uma das fontes ouvidas pela Reuters, representantes da Guarda Revolucionária iraniana já presentes no Iêmen seriam responsáveis por decidir o momento exato de um eventual fechamento do estreito — ou seja, a decisão final não estaria nas mãos apenas da liderança houthi.
Por que isso importa
Fechar simultaneamente Ormuz e Bab-el-Mandeb não é só um problema para o Oriente Médio: é um problema para o preço da gasolina, do gás e de praticamente qualquer produto transportado por navio. Analistas do setor de energia já vinham monitorando a queda nos estoques globais de petróleo desde o início do conflito, e uma nova frente marítima reduziria ainda mais a margem de segurança do mercado para absorver choques. Na prática, isso aumenta o risco de picos de preços nos combustíveis e de novas turbulências em setores que dependem do comércio marítimo internacional — de eletrônicos a alimentos.
O que ainda não está confirmado
Vale reforçar: a informação vem de fontes anônimas e ainda não foi confirmada publicamente nem pelo governo iraniano, nem pelos houthis. Também não há, até a publicação desta matéria, indícios de que os Estados Unidos tenham de fato atacado a rede elétrica do Irã — o que é a condição citada para o fechamento do estreito. Ou seja, trata-se de uma ameaça condicional, não de um fato consumado.
O que observar daqui para frente
O mercado de petróleo já reage a cada novo capítulo do conflito, com o barril do Brent oscilando de acordo com o noticiário sobre Ormuz nos últimos dias. Se a ameaça ao Bab-el-Mandeb se confirmar, a tendência é de nova pressão sobre os preços de energia — mas analistas ponderam que uma resposta militar americana mais dura também pode reduzir a capacidade prática do Irã de sustentar o bloqueio por muito tempo. Por ora, o mais seguro é acompanhar se os EUA de fato avançam contra a infraestrutura elétrica iraniana — e se essa ameaça sai do papel.
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