X completa 20 anos: do passarinho azul ao império de Elon Musk
O Twitter, hoje X, completa 20 anos. Relembre a história da rede, a compra por Elon Musk e o bloqueio no Brasil determinado pelo STF em 2024.
NOTÍCIA


Resumo: A rede social que hoje se chama X completou 20 anos nesta quarta-feira (15). Nascida como Twitter, ela passou de um serviço simples de mensagens curtas a um dos principais palcos de debate público do mundo — e, sob o comando de Elon Musk, também um dos mais controversos.
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X, Twitter, Elon Musk, Big Techs, Redes Sociais
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Duas décadas atrás, ninguém imaginava que um site para dizer "o que você está fazendo agora" se tornaria o lugar onde presidentes anunciam decisões, artistas confirmam mortes de colegas e países discutem se uma plataforma deve ou não continuar operando dentro de suas fronteiras. Essa é a trajetória do Twitter, hoje X, que completou 20 anos nesta quarta-feira (15).
Do "twttr" ao Twitter
A ideia nasceu dentro da Odeo, uma startup de podcasts fundada por Evan Williams, Biz Stone e Noah Glass. Jack Dorsey apresentou o conceito de um serviço de mensagens curtas e, em 21 de março de 2006, publicou a primeira mensagem da história da plataforma, ainda em fase de testes: "estou criando minha conta Twttr". O lançamento oficial ao público aconteceu quatro meses depois, em 15 de julho de 2006.
Esse primeiro tuíte, aliás, virou um símbolo do próprio boom das criptomoedas: foi vendido em 2021 como NFT (um tipo de ativo digital único, registrado em blockchain) por cerca de US$ 2,9 milhões.
De rede de nicho a palco político global
Nos anos seguintes, o Twitter deixou de ser um serviço de curiosidade tecnológica para se tornar uma ferramenta de comunicação em tempo real usada por jornalistas, artistas, cientistas e políticos. A plataforma teve papel central na cobertura de eventos como a Primavera Árabe e em coberturas eleitorais ao redor do mundo, além de abrigar comunidades influentes, como o chamado "Black Twitter", conhecido por debates e humor sobre temas ligados à população negra.
Momentos virais também marcaram essa fase: a selfie do Oscar de 2014, tirada por Ellen DeGeneres com estrelas como Brad Pitt e Jennifer Lawrence, tornou-se um dos posts mais curtidos da história da rede. Em 2020, foi um tuíte que confirmou ao mundo a morte do ator Chadwick Boseman, intérprete do Pantera Negra.
Nem tudo, porém, foi só viralização positiva. Em julho de 2020, contas de peso — como as de Barack Obama, Bill Gates e do próprio Elon Musk — foram invadidas quase simultaneamente em um golpe que atingiu cerca de 130 perfis, prometendo devolver em dobro qualquer quantia enviada em bitcoin. O episódio expôs falhas de segurança que forçaram a empresa a suspender temporariamente a publicação em contas verificadas.
A chegada (turbulenta) de Elon Musk
O capítulo mais disruptivo da história da rede começou em 2022. Em abril daquele ano, Elon Musk — já dono da Tesla e da SpaceX — ofereceu cerca de US$ 44 bilhões pela empresa, justificando a compra com a alegação de que o Twitter estaria "minando a democracia" ao não seguir princípios de liberdade de expressão. Depois de meses de idas e vindas, incluindo tentativas de desistência, o negócio foi concluído em outubro de 2022.
A partir daí, a reestruturação foi rápida: demissões em massa (cerca de 3.700 funcionários dispensados logo no início), mudanças na moderação de conteúdo e no sistema de verificação de contas, e a criação de assinaturas pagas. Um efeito colateral foi a fuga de anunciantes — já em janeiro de 2023, mais de 500 marcas haviam suspendido investimentos publicitários na plataforma, uma queda de 40% em relação ao ano anterior.
Um dos momentos mais memoráveis da transição de comando foi simbólico: antes de fechar a compra, Musk apareceu na sede da empresa carregando uma pia de porcelana, em referência a um trocadilho em inglês com a expressão "let that sink in".
Adeus, passarinho azul
Em julho de 2023, Musk anunciou o fim da marca Twitter e do tradicional pássaro azul, substituídos pela letra X — parte do plano de transformar o serviço em um "superapp" com múltiplas funções, à moda de aplicativos usados na Ásia. A transição gerou situações inusitadas, como um enorme letreiro luminoso com a letra X instalado no topo da sede em San Francisco, retirado poucos dias depois após reclamações de moradores sobre a intensidade das luzes e dúvidas sobre a segurança da estrutura.
O braço de ferro com o Brasil
Uma das fases mais tensas da história recente da plataforma envolveu diretamente o Brasil. Em agosto de 2024, a empresa fechou seu escritório no país, alegando que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria ameaçado de prisão a representante legal da rede caso ela não cumprisse decisões judiciais. Dias depois, Moraes determinou que a plataforma indicasse um novo representante legal no Brasil; como a ordem não foi cumprida, o ministro suspendeu o X em todo o território nacional — bloqueio que durou cerca de 40 dias e só foi revertido depois que a empresa pagou multas, indicou representação legal no país e cumpriu ordens para desativar contas específicas.
Onde o X está hoje
Passadas as turbulências, a rede segue como um dos principais espaços de disputa política e de debate público do mundo — hoje monetizada por assinaturas e apostando forte em inteligência artificial para se manter relevante. A própria conta de Elon Musk é a mais popular da plataforma, com 240 milhões de seguidores, superando o antigo recordista, o ex-presidente americano Barack Obama (119 milhões). No Brasil, quem lidera o ranking é o jogador Neymar Jr., com 63 milhões de seguidores.
Por que isso importa
Os 20 anos do Twitter/X são também uma boa lente para entender como o poder sobre uma rede social se tornou poder geopolítico. A disputa entre Musk e o STF brasileiro mostrou que decisões de moderação de conteúdo e representação legal de uma empresa de tecnologia podem virar, rapidamente, uma queda de braço entre big techs e Estados nacionais — um padrão que se repete em outros países e que voltou a aparecer, inclusive, entre os argumentos usados pelos EUA no recente tarifaço contra produtos brasileiros. Para o usuário comum, fica a lição de que as regras de uma rede social — o que pode ou não ser dito, quem é banido ou reinstaurado — não são fixas: mudam de acordo com quem está no comando.
O que observar daqui para frente
Ainda não está claro até que ponto a aposta de Musk em transformar o X em um "superapp", com pagamentos e outros serviços integrados, vai se concretizar, nem se o crescimento de concorrentes como Bluesky e Threads vai continuar drenando parte da base de usuários insatisfeitos com as mudanças dos últimos anos. O que parece certo, segundo analistas do setor, é que a plataforma seguirá no centro de debates sobre moderação de conteúdo, desinformação e liberdade de expressão — vinte anos depois de nascer como um simples serviço de mensagens curtas.
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